segunda-feira, 29 de julho de 2013

Inferno de Dan Brown e A Divina Comédia de Dante Alighieri

          "No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise."

            Recentemente foi lançado no Brasil o mais novo livro de Dan Brown. Inferno é a quarta aventura do Simbologista de Harvard, Robert Langdon. Dessa vez, ele conta com a ajuda de Sienna Brooks, uma jovem médica dotada de um Q.I. altíssimo.
 
          Em sua nova aventura, Langdon acorda em um hospital em Florença, comum tiro na cabeça e sem memória. Suas últimas lembranças são de uma corrida solitária pelo campus da Universidade.
          Fugindo de uma assassina profissional (sem saber quem e por quê querem matá-lo), Langdon se vê correndo por ruas e monumentos famosos de Florença, Veneza e Turquia tendo como base para suas buscas obras inspiradas naquela que é considerada umas das mais célebres obras da literatura mundial: A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que narra em poemas a descida de seu protagonista ao Inferno, sua passagem pelo Purgatório e sua subida ao Paraíso.
 
          Em seu sexto livro, Dan Brown mostra um amadurecimento enorme na condução de suas histórias. Quem acompanhou sua carreira sabe que em determinado momento, suas tramas começaram a se tornar batidas, repetitivas. Desde O Símbolo Perdido (terceira aventura do Simbologista e quinto livro do autor) Dan tem mostrado uma nova maneira de conduzir as tramas levando-as a seus desfechos.
 
          Em Inferno, Dan Brown segue uma nova linha de condução, dando à sua trama um tom mais sombrio, com muito mais mistérios e suspense. E o final é surpreendente, inimaginável.
 
           Leitura obrigatória para quem gosta de uma boa história.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Top 15: A música e a Dramaturgia.

E finalmente... Chegamos ao topo de nossa lista. Qual a música mais marcante da dramaturgia?
Antes, vamos relembrar rapidamente o top5:


5 - Você Não Vale Nada - Calcinha Preta - Tema de Norminha (Dira Paes) em Caminho das Índias;
4 - Tango Instrumental de Flora (Patricia Pillar) em A Favorita;
3 - O amor e o Poder - Rosana - Tema de Jocasta (Vera Fischer) em Mandala;
2 - Whishing On A Star - The Cover Girls - Tema de Yasmin (Daniela Perez) em De Corpo e Alma;

E finalmente...



TOP 1:


Em seu início, a teledramaturgia tinha como objetivo apenas o entretenimento, a diversão da família em casa. Aos poucos, com o aumento de novelas diárias, aumento no número de capítulos, de cenas e de tempo por capítulos, a dramaturgia precisou se renovar, fincar suas raízes em terrenos mais fortes. E seus autores começaram a avançar por outros caminhos. Dias Gomes - de novelas como Roque Santeiro e Bandeira 2 - passou a trazer temas como política para suas novelas, enquanto Janete Claire - Pecado Capital, Irmãos Coragem - popularizava seus personagens, cada vez mais próximos ao telespectador.
Desde então, cada autor tem sido reconhecido por características próprias. Silvio de Abreu - A Próxima Vítima - é conhecido pela comédia e pelos thriler policiais.
Benedito Ruy Barbosa - Terra Nostra, Pantanal - por ambientar suas novelas no interior, mostrar a realidade de quem vive nas fazendas.
Aguinaldo Silva - Tieta, Senhora do Destino - ficou conhecido por seu estilo regionalista e cheio de realismo fantástico (pessoas voando, Cadeirudo, lobisomens), apesar de suas três últimas novelas terem fugido desse estilo.
Todos os autores tem um estilo próprio. Mas talvez o mais 'reconhecível' é o estilo realista que Manoel Carlos dá à suas novelas. Ambientadas sempre no Leblon, 'Maneco' traz às telas personagens críveis, que poderiam ser qualquer pessoa que encontramos nas ruas, e até nós mesmos. O porteiro, jornaleiro, dono do bar, todos podem ser personagens do autor, mesmo que por alguns segundos em uma cena. Bossa Nova, cenas ao redor da mesa do café da manhã, marcas do autor que são inconfundíveis.
Mas uma marca registrada dele é o merchandising social, ou "polêmicas", como é muito conhecido. Por serem tramas onde seus personagens se aproximam muito da realidade, o autor insere muito a realidade em suas tramas. Seja com personagens comentando notícias do jornal (como aconteceu em Páginas da Vida), seja abordando temas como o alcoolismo, a violência contra a mulher, a situação do idoso, romances entre pessoas de diferentes classes sociais ou idades, e muitos casos relacionados à medicina, como Aids, Câncer de Mama e Leucemia.
Esses temas, inseridos em um programa que atinge uma massa tão grande de brasileiros, fazem uma grande diferença para quem sofra de algum deles. Foi assim quando abordou, principalmente, o caso da Leucemia na novela Laços de Família.
Na trama, Helena (Vera Fischer) conhece e se apaixona por Edu (Reynaldo Gianechinni), muitos anos mais novo que ela. Mas quando este conhece Camila (Carolina Dieckmann), filha de sua namorada e com a mesma idade que ele, a empatia é imediata. Aos poucos, a amizade se torna amor e Camila se vê apaixonada pelo namorado de sua mãe. Após muitas brigas e sofrimentos, Helena abre mão de Edu pela felicidade de sua filha e os dois se casam.
É quando começa um novo sofrimento na vida do casal, pois Camila descobre estar com Leucemia. Começa uma batalha interminável de Helena para salvar a vida de sua filha. Agora, namorando Miguel (Tony Ramos), Helena decide abrir mão de seu grande amor novamente por sua filha. Ela termina com Miguel para poder engravidar de Pedro (José Mayer), seu primo e pai biológico de Camila. Gerando uma filha compatível, Helena salva a vida de Camila. No fim, Helena e Miguel se acertam. Camila e Edu terminam felizes.
Interpretada por Lara Fabian, Love By Grace (tema de Camila) foi uma música que marcou muito na época, principalmente após aquela que pode ser considerada uma das cenas mais emocionantes da dramaturgia na década de 2000. Confira abaixo a cena em que Camila raspa seus cabelos que caiam em consequência do tratamento de quimioterapia.
Curiosamente, Camila era uma personagem detestada e muitos telespectadores pediam a sua morte por ela roubar o namorado da mãe. O sofrimento da personagem fez com que o público passasse a ver a personagem com outros olhos e torcer por sua recuperação.


 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Top 15: A música e a Dramaturgia.



TOP 2:

Daniela Perez - 11 de agosto de 1970 a 28 de dezembro de 1992.
 
E na segunda posição, uma música que marcou em mim não pela novela, ou pela personagem. Mas por uma tragédia. Eu tinha apenas 5 anos, não lembro nada da novela. Mas a morte da atriz Daniela Perez marcou muito. Lembro até hoje das matérias no Jornal Nacional, as fotos do crime. Tudo muito forte, chocante. Durante anos tive medo dessa música, até que passei a gostar dela. Mas a memória ficou. Basta ouvir 'Whishing On A Star' na voz de The Cover Girls me lembro de Daniela Perez.

Daniela era filha da novelista Glória Perez que escrevia a novela De Corpo e Alma na qual a jovem interpretava Yasmin e fazia par romântico com Bira, interpretado por Guilherme de Pádua, que viria a ser, futuramente, seu assassino ao lado da esposa Paula Thomaz.

Segundo pesquisas que eu fiz, o que motivou o crime foi a ambição de Guilherme, que acreditou que a autora Glória Perez estivesse diminuindo seu papel na novela por não ter aparecido em dois capítulos. Após matar a jovem com 18 golpes de tesoura, Guilherme e sua esposa foram prestar solidariedade à família da vítima - além de filha da novelista, Daniela era casada com o também ator Raul Gazolla - chegando à delegacia no mesmo carro onde, pouco antes, haviam começado a executar o crime. Na trama, a saída de Daniela foi explicada com uma viagem de estudos de Yasmin que era dançarina. Já Bira, personagem de Guilherme de Pádua simplesmente deixou de existir. A autora se ausentou por uns dias, e quem assimiu a condução da trama foram os autores Gilberto Braga e Leonor Bassères. Quando retornou, Glória incluiu mais dois assuntos polêmicos à trama: a Morosidade da Justiça e a Inadequação do Código Penal.

Dos 19 anos aos quais Guilherme de Pádua e Paula Thomaz foram condenados, o casal cumpriu apenas 6. Hoje, Guilherme de Pádua se diz convertido e é pastor de uma igreja evangélica.

Abaixo um video com fotos de Daniela Perez ao som de Whishing On a Star. Com certeza é emocionante para quem se lembra do caso.


domingo, 21 de outubro de 2012

Top 15: A música e a Dramaturgia.

 

TOP 3:

Édipo (Felipe Camargo) e Jocasta (Vera Fischer) na novela Mandala. Os atores se casaram na vida real.


E finalmente chegamos ao nosso pódium. E a medalha de bronze, com certeza, não poderia ser diferente. O Amor e o Poder, na voz de Rosana, música tema da personagem Jocasta interpretada por Vera Fischer na novela Mandala de Dias Gomes. Impossivel para mim ouvir o refrão "Como uma deusa..." e não me lembrar de Vera Fischer. Tudo bem que atualmente ela não esteja no auge de sua beleza como na época da novela, mas mesmo assim a musica marcou muito. Curiosamente, eu não assisti à trama que foi exibida entre outubro de 1987 e maio de 1988. Eu nasci em junho de 1987 e não tinha nem um ano quando a novela acabou. Mas por algum motivo que eu desconheço, sempre lembro da Vera Fischer quando escuto a música, onde quer que seja.
Jocasta (Vera Fischer) estava grávida do namorado Laio (Perry Sales) e ele, muito místico, não dava um passo sem consultar seu amigo e guru Argemiro (Carlos Augusto Strazzer). Este disse a ele que o filho o odiaria e teria um romance com a mãe. Assustado, Laio dá um sumiço à criança.
25 anos se passam. Jocasta ainda procura o filho desaparecido e está separada de Laio. Este, por sua vez, encontra com um jovem na estrada, Édipo. Os dois tem uma discussão, Laio cai de uma ribanceira e morre.
Enquanto é cortejada por Tony Carrado (Nuno Leal Maia), Jocasta se apaixona pelo jovem Édipo que vai trabalhar em sua empresa, sem saber que ele é na verdade seu filho desaparecido.
Mandala foi marcada por muitas polêmicas. Inicialmente a sinopse foi vetada pela Censura Federal por conter assuntos como incesto, uso de drogas e bissexualismo. A Globo se comprometeu a fazer mudanças no original e ela foi então ao ar. Mas depois a Censura voltou a agir proibindo o beijo entre Jocasta e Édipo. Este só foi liberado porque os personagens desconheciam de sua condição de mãe e filho.
O autor, Dias Gomes, escreveu a trama apenas até o capítulo 35. Deixou-a então com seu parceiro Marcílio Moraes que contou com o apoio de Lauro César Muniz nos capítulos finais. Hoje, Lauro e Marcílio estão na rede Record.

Como eu temia, infelizmente, não encontrei nenhum video com cenas da novela e a música ao fundo. Mas posto então um video com o clipe da música.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Top 15: A música e a Dramaturgia.



TOP 4:

 

 Enfim, a quarta posição. E essa é uma música que, com certeza, marcou demais! Tango 3, uma composição de Alberto Rosenblit, tema de Flora Pereira interpretada brilhantemente por Patricia Pillar na novela A Favorita de João Emanuel Carneiro. Não é tocada nas rádios, mas tocou na novela 'Amor Eterno Amor' recentemente e não tem como escutar esse tango e não se lembrar das maldades de Flora.
Durante 56 capítulos, enquanto se fazia de boazinha e enganava ao público, Flora teve como tema principal a música 'É o Que Me Interessa' cantada por Lenine. Mas quando revelou sua verdadeira natureza, esse tango passou a fazer parte de suas cenas, principalmente as mais ardilosas. A morte de Gonçalo (Mauro Mendonça) e o dia em que Flora compra o Rancho de Gonçalo e comemora com um sonoro e inesquecível "Eu consegui!", ambas embaladas pelo tango, foram muito marcantes.
Abaixo, a cena da morte do Gonçalo. A outra cena não consegui encontrar.





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Vida da Gente...

        Ps: Em itálico, uma breve sinopse da trama. Pode pular caso não queira ler.



        Ontem, 26 de setembro, a novela A Vida da Gente completou um ano de sua estreia. Esta foi também a estreia da autora Lícia Manzo como autora titular de novelas, depois de ser colaboradora de Antonio Calmon em Três Irmãs e redatora final do seriado Tudo Novo de Novo.

       



        A Vida da Gente girava em torno das famílias Macedo e Fonseca. Ana e Manu eram filhas de Eva Fonseca, que há muito estava casada com Jonas Macedo que era pai de Rodrigo. Já no primeiro capítulo, Eva pegou seu marido com a personal trainner Cris e pediu o divórcio, logo quando seus filhos Ana e Rodrigo descobriam estar apaixonados e, para piorar, Ana descobria estar grávida, o que colocava em risco sua brilhante carreira como tenista.
        Pensando estar fazendo o melhor por sua filha, Eva levou Ana para a Patagônia, com o apoio de Vitória - técnica de Ana -  alegando que ela precisava se recuperar de uma lesão. Inicialmente, o plano de Eva era dar a criança para a adoção. Mas após uma conversa com Alice (filha que Vitória abandonou para adoção), Ana decidiu não entregar a filha.
        Eva então, sem avisar à filha, registrou a criança como sendo sua. Quando voltaram ao Brasil, após muitos acontecimentos, Ana decidiu que cuidaria de sua filha com a ajuda de sua irmã Manu e de sua avó Iná. Mas um acidente fez com que Ana passasse 6 anos em coma e, quando esta acordou, percebeu que a vida de todos havia continuado. Chocada, Ana descobriu que sua irmã Manu casou-se com Rodrigo, seu antigo amor - Manu e Rodrigo se tornaram muito amigos, enquanto ela o ajudava a criar Julia, sua filha com Ana. Mesmo sabendo que sua mãe estava no hosítal, Julia chamava Manu de mãe pois era quem ela via como tal. Dessa amizade e união, surgiu um amor entre os dois que acabaram casando e criando Julia como filha, para desespero, principalmente de Eva que acusava Manu de deixar Ana no estado em que se encontrava.
        Após sair do coma, Ana tinha então que recomeçar sua vida. Reconquistar seu lugar como mãe de Julia era o principal. Foram muitas tentativas, principalmente com a ajuda do médico Lúcio - com quem Ana viria a se envolver - e de sua irmã a quem ela perdoou pouco depois. Aos poucos tudo se encaixava, mas o amor mal-resolvido entre Ana e Rodrigo pôs tudo a perder, acabando com a amizade das irmãs. No fim, após um acerto de contas entre elas e uma enfermidade de Júlia, as irmãs voltam a se acertar. Ana termina a trama ao lado de Lúcio e Manu fica com Rodrigo.

Abertura de A Vida da Gente ao som de Oração ao tempo na voz de Maria Gadú.

        Com apenas 137 capítulos, Lícia Manzo nos presenteou com uma novela simples e bonita. A Vida da Gente não tinha reviravoltas mirabolantes, nem vilões extremamente malvados, nem personagens caricatos. Seus personagens eram críveis, realistas, mas acima de tudo folhetinescos. Eram pessoas que poderiamos encontrar em qualquer esquina. Não havia mocinho extremamente bonzinho. Ana, a protagonista, "roubou", em determinado momento, Rodrigo de Manu, após ter se envolvido com Lúcio. Manu se casou com Rodrigo, criou a filha dele com Ana. Rodrigo Manu com Ana, seu antigo amor.

        Lícia conseguiu contar uma bela história utilizando de tramas verdadeiras, realistas, sem exageros. Soma-se a isso a bela direção de Jayme Monjardim e tivemos, todos os dias às 18 horas, uma novela agradável de se assistir. Seu texto realista pode ser comparado ao de Manoel Carlos, autor de novelas como Mulheres Apaixonadas e Laços de Família, com quem a autora nunca trabalhou antes. Lícia pecou um pouco apenas na falta de comédia e pelo apelo emotivo.

        Muitos foram os destaques na novela. Ana Beatriz Nogueira brilhou com sua Eva, a mãe possessiva de Ana. Gisele Fróes como Vitória, técnica de Ana, também mostrou todo o seu talento, defendendo sua personagem. Maria Cláudia foi um dos melhores destaques da trama, um verdadeiro presente vê-la em cena com sua "ovelha negra" Nanda. Seu texto era ótimo, sagaz, divertido. A pequena Jesuela Moro também esteve ótima ao lado de Rafael Cardoso (que se mostrou muito mais maduro se comparado ao seu papel anterior em Tititi) e Marjorie Estiano, que dispensa apresentações e elogios. Mallu Galli, Leona Cavalli, Claudia Melo, Daniela Escobar, Regiane Alves. Essa foi praticamente uma novela feminina, onde os homens eram apenas meros coadjuvantes nas histórias das mulheres.

        Mas a maior surpresa foi, sem dúvidas, Fernanda Vasconcelos. Fernanda nunca foi - ou melhor, não era - um poço de talentos. Apesar de esforçada, ela derrapava muito principalmente em cenas dramáticas. Mas em A Vida da Gente Fernanda mostrou que está melhorando a cada dia. Estava segura, confiante em seu trabalho. Prova disso foi a cena da discussão entre as irmãs.

http://tvg.globo.com/novelas/a-vida-da-gente/capitulo/ana-procura-manu-e-as-irmas-discutem.html#cenas/1812817
(link para a cena da briga entre as duas irmãs, que não está no youtube).

        A Vida da Gente não foi um sucesso de audiência, tendo apenas 22 pontos de média geral, quando sua meta era 25 pontos e suas antecessoras Cordel Encantado e Araguaia deram, respectivamente, 26 e 23 pontos. Mas a novela teve grande repercussão perante o público e a crítica, que muitas vezes soltou elogios à trama, ao texto, à direção e ao elenco.

        A novela deixou um gostinho de quero mais, merecendo, futuramente, uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo (quando a globo desistir das re-reprises). Agora é esperar pelo próximo trabalho da autora Lícia Manzo, que venha novamente uma bela novela.